Femando Venancio Peixoto da Fonseca Universidade de Lisboa ACERCA DE TERMOS PARA DINHEIRO Ha sesenta anos editava o jornal A Voz um interessante suplemento infantil denomi- nado O Tiroliro, cujo director se ocultava sobo nome de tio Tiroliro. Em 27 de Agosto de 1939, ano XI da sua publica9ao, em o número 525, página 5, vem urna útil e curiosa lista que apresenta alguns sinónimos da palavra dinheiro, sub- scrito por um tal Zé e intitulado Auxiliar das "Lecas". Come9amos este breve artigo dando por ordem alfabético, como lá vem o referido do elenco. Os vocábulos, assim lá afirmam, nao constituem "a sua totalidade, más sao possivelmente a maior parte". A: ajuda, arame, argem, arroz. B: baga90, bagarota, bagarote, bagalho9a, bago, baguines, bagumes, bala, bens, bicos, bilhestres, bolsinho, bolo, boro, boros, bran9a, bro9a, brocha, bronze, bungo. C: cabedal, cabedais, cacao, ca9ao, cacau, calica, calique, caro90, chapa, chelpa, china, chocalhinho, chorame, chorume, cobre, conquibos, conqui- tus, coragem, coscorilho, cóscos, cunques, cuques. D: deeiro, dote. E: economías, espa- da, espécie. F: fazenda, ferro, fío. G: gadé, gimbo, gorgeta, guines. J: Jan da Cruz, Joao da Cruz, jibungo, jimbongo, jumbugo. L: lecas, lega. M: maco, maquia, marca, massa, melgueira, metal, milho, miúdos, moapa, moeda, moni, mósca, música. N: nota, notas, numerário, numo, nuto. O: airo, ouro. P: painso, palha9os, pame, pastor, pataco, patacos, patakia, pataquia, patarra, paus, pé de meia, pecúlio, pecúnia, pecuniarda, perezil, pesante, pinto, portuguesa, prata. Q: quantia, quatrini. R: riqueza, ro\:º· S: sapequas, sapiquas, sepiquas. T: teca. V: vintém. Y: zerzulho, zimbo. Vamos agora procurar alguns comentários a estes "sinónimos de dinheiro", sugeri- dos pela nossa experiencia de pessoa nada e criada em Lisboa, desde há já quase oitenta anos. Na letra A, compreende-se ajuda, mas nunca ouvimos o termo neste sentido, em- bora seja justificável. Ternos vaga idea de arame, em calao. Argem é, naturalmente, um aportuguesamento do frances argent. De arroz para dinheiro náo nos lembramos. Em B parece-nos ter visto baga~o, mas nao bagarota ou bagarote. Já bagalho~a era corrente, bem como bago. Baguines ou bagumes nada nos dizem, e tem assim bala, bicos, bi- lhestres, bran~a, bro~a ou brocha e bungo. Bem é muito usual, mas, tal como bolsi- nho, sinónimo de dinheiro nunca nos constou, bolo compreende-se, e boro/boros sao com certeza a sua deturpa9ao. Bronze achamos nunca ter ouvido, mas entende-se per- feitamente, visto haver muitas moedas nesta liga metálica. No C cabedal/cabedais eram vulgares, mas cacau dizia-se apenas em calao, e nunca ouvimos cacao, que é o termo frances talvez proferido por alguns. Cabica/cabique nao sao do nosso conhecimento, bem como china. Caro~o era bastante popular, chapa e chelpa pertencem ao calao; chocalhinho é fácil de perceber (como diminutivo de chocalho), todaviajamais olemos nem ouvimos, chorame e chorume tem significado evidente, por extensao de sentido, 109 porém nunca nos surgiu em qualquer nível de linguagem. De cobre recordamo-nos só no plural, e a significa<;;ao é claríssima, dado que durante a República grande parte das moedas tém sido neste metal. Conquibos/conquíbus ouvia-se muito: